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Da forma como leio o mundo

Da forma como leio o mundo

05
Nov19

Terapia do Pensamento sessão 2

Bárbara

-Como te sentes hoje?

-Mais equilibrada. Sempre que reduzo o açúcar e retomo o ginásio acabo por me sentir mais tranquila.

-Então, verificas na disciplina uma estratégia?

-Sim, nem sempre me consigo controlar. Provavelmente, adiciono à minha instabilidade e compulsão as alterações hormonais. Se os homens soubessem que as alterações são tão intensas, que nos transformamos num ser desconhecido.

-E qual é o teu objetivo para hoje?

-Gostaria de conseguir manter a tranquilidade, a harmonia no meu interior e observar mais do que falo. Ontem, irritei-me, pois uma colaboradora esqueceu-se de colocar no lugar umas folhas importantes e prejudicou o funcionamento do dia. Já tinha tido uma conversa com ela na semana passada a pedir mais atenção e responsabilidade. No entanto, comentei, com um grau de irritação, com a pessoa que precisava das folhas. E isso deixa-me desconfortável, pois já não sei o que é correto ou não. 

- O que consideras não ser correto nessa situação?

-Não sei o que me acrescenta ou ao mundo essa partilha, mas no impulso da irritação acabei por comentar.

-O que disseste exatamente?

-Não me acredito! As folhas têm que estar aí, imprimi, entreguei. Ela sabe que é importante para hoje e coloca em causa todo o funcionamento para hoje. Caramba, ainda na sexta me sentei com ela e lhe pedi mais cuidado. Estou cansada disto... mesmo cansada... Algo deste género.

-Não me parece que tenhas estado a dizer mal de alguém de forma fútil, focaste-te no comportamento e todos nós temos esses desabafos.

-Mas, gostava de falar menos e manter a tranquilidade... Ontem, depois da nossa conversa, enviei mensagem a três amigas com quem já não tenho contacto há muito. Mas, apenas uma me respondeu.

- Como te sentiste com essa resposta?

- Senti uma tendência maior de me penalizar pela ausência das outras duas. Curioso esta nossa forma de absorver, não é?

- E como te sentiste com essa resposta?

-Senti-me feliz, senti-me motivada e depois senti que tudo dá tanto trabalho.

- Estar com pessoas faz-te sentir cansada?

- Sim, não flui naturalmente. Tenho que me mentalizar, planear, preparar, motivar, obrigar... Acho que me custa mais do que ir ao ginásio. Não sei se sinto prazer com estar com os outros, mas sinto falta dos outros. Gosto das pessoas, mas não gosto das pessoas, percebes? Isto torna-me arrogante. Ou, acho que pelo facto de estar, profissionalmente, sempre disponível e em modo de escuta para os outros, não me apetece entrar no mesmo registo no contexto pessoal. Não me encanto com pessoas que me rodeiam, ou que vou encontrando. Gostava que alguém me dissesse que tinha uma hora inteira para falar, sem ser interrompida e ser realmente escutada. Deve tão bom sentir que somos amados. Sinto falta disso, muita, de amor incondicional, que não dpende do que possas ser útil. O que me sinto é isso, útil, descartável...

- Achas que esta descrição te vai ajudar de algum modo? Essa adjetivação tão negativa faz com que evoluas?

- Não, de todo.  

- Então, vamos sonhar positivo? Vamos abrir os braços e gritar à vida que merecemos esse amor.

- Sim, tens razão. São caminhos distintos, com resultados distintos. E eu posso escolher. Eu escolho sonhar, sem dúvida. 

 

 

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