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Da forma como leio o mundo

Da forma como leio o mundo

04
Nov19

Terapia do Pensamento

Bárbara

-Nem sempre é fácil avançar com pensamento positivo, nomeadamente quando se abre a caixa de correio logo pela manhã e se descobre uma multa.

Principalmente, quando tinha decidido ser positiva hoje.

-E como é que isso altera a sua positividade.

- Gostava de ter um sinal do universo, do meu pai, de deus...

- Compreendo... Como mantém a sua positividade?

- Por vezes, grito, outras faço claque... mas no fim, só  tenho a hipótese de acreditar... se for abaixo, morro sozinha.

- Sente-se sozinha?

- Estou sozinha de forma intensa e acabei por o aceitar. Cansei-me de procurar falsas companhias. Encontrei companhia nos meus cães e na comida. O resultado do exagero é estar obesa e gastar o que não tenho. Dou comiga, e desespero, a colocar ração para cães em tudo o que é local e pareço uma velha, gorda e louca.

- O que significa estar sozinha?

- Os cães ajudaram imenso, anteriormente só queria morrer sempre que abria a porta de casa.  Estar sozinha é o silêncio, é a falta de companhia, é o chorar agarrada a mim mesma, é o sentir que ninguém toma as minhas dores, é o não ter com quem desabafar e trocar as coisas todas na parte profissional. Por vezes dói tanto, mas tanto, mas tanto que pareço que parto. Não fomos feitos para esta solidão que sinto.

- Já fez algo para tentar reverter a situação?

- Sim, já. Já marquei com amigas, mas fui rejeitada. Devo ser uma pessoa insuportável.  Já procurei namorados e correu muito mal. Tento combinar, ser simpática, tento ajudar, mas as pessoas afastam-se de mim. Vou dar um exemplo, este ano tentei ir de férias com uma amiga, que considerava verdadeira. Ela tem férias logo no final de junho e começa a trabalhar em setembro. Eu só consigo parar em agosto, aliás já não parava desde 2012. Eu pedi para irmos em agosto, mas ela disse que ir passar férias à terra dos pais e se fosse comigo tinha que ser logo em julho, pois não queria andar sempre em viagens. Isso deixou-me triste e acabei por me afastar, pois eu não tinha alternativa.

- Como interpretou isso?

- Como se ela não quisesse estar realmente comigo, como se eu não valesse a pena. As pessoas não me procuram pela minha companhia. As pessoas procuram-me porque eu sou útil em alguma coisa.

- Todos são assim? Foi sempre assim?

- As minhas irmãs não, mas é sempre em dias específicos e quando tento marcar alguma coisa fora é complicado. Não foi sempre assim, não sei se fui eu que me afastei, ou se foram as pessoas. Sei que alguns anos, bastantes, eu trabalhava e depois refugiava-me em casa, com as persianas corridas à espera do final da vida. Eu odeio quem sou, odeio a pessoa que sou, odeio-me tanto.

- Porque se odeia?

- Quando observo os outros, são tão diferentes de mim. 

- Consegue fazer uma lista de coisas que gostaria de alterar em si?

- A falta de disciplina, a preguiça, a compulsão alimentar, a insegurança, o meu peso, a minha força de vontade, o falar em demasiado...

-Consegue fazer uma lista do que valoriza em si? 

- O gostar de ajudar pessoas, a verdade, a honestidade, a capacidade de trabalho, o humor, a criatividade.

Consegue fazer uma lista do que não gosta na sua vida?

- a falta de filhos, de companheiro, de estabilidade económica e profissional.

Acabou o nosso tempo, continuamos no próximo pensamento terapêutico.  

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