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Da forma como leio o mundo

Da forma como leio o mundo

29
Jan18

O primeiro e extremamente deprimente!

Bárbara

Nem sei por onde começar. O que se escreve quando apenas um vazio nos carateriza? Quase aos 44 anos, já tenho a plena consciência de que não sou ninguém, nada, absolutamente nada. Vivo com ciúmes e inveja quem expira autoestima. Mas, sou isto, resultado de uma vida e de interações. Todos os dias, repito vezes e vezes que quero morrer, pois não existe qualquer laço que me prenda, nada. Sobrevivo economicamente e emocionalmente há demasiados anos, para me iludir com expetativas de algo melhor num futuro longíquo, ou próximo. Apenas me quero em pó, de forma racional e tranquila.

A carência de afeto é tanto, que quando sinto, deixo de conseguir respirar. E já estou cansada daquelas frases imbecis, lançadas por outros imbecis, que nos tentam responsabilizar por tudo o que nos acontece. Não!

Tive o azar de nascer nesta família, tive o azar de ter esta mãe, estas irmãs, este pais, estes amigos, este namorado, este emprego! Nunca parei de respirar, mesmo quando me sentia engolida pela dor, mas não deixei de ter azar. Sim, azar em tudo o que me vai acontecendo.

Porquê o blog? Porque preciso simplesmente libertar, sem filtro, sem censura, sem sentir que tenho que agradecer, talvez para que me possa sentir gente. 

Tenho um grande expetativa em relação à minha morte, acredito que será rápida e indolor. Não será intencional, mas será uma generosidade do universo, para quem nunca se encaixou na vida. Resto-me eu e um cão que amo, demasiado até, ao ponto de me fazer deixar de comer carne, pois passei a ver o seu olhar fiel em todos os animais. Quero mesmo uma partida inisível, tal como foi a minha vida. Preferencialmente, ainda em 2018. Comecei a repetir a afirmação há três dias e estou com fé. Não quero que me vejam como alguém sempre a chorar, cinzenta, não é assim que sou. Sou uma mulher roliça, de quase 44 anos, com um grande sentido de humor e muita energia. Apenas, já não me consigo ver neste mundo, facto que sempre senti. A falta de pertença, agora agravada por uma família egocêntrica que descuida, por uma sociedade exigente e ingrata e por uma vida, parada, sem evolução, apenas no aumento de peso. Sim, faço isso tudo para mudar a vida, mas a vida roda e roda e catrapumba, dá-me um soco, bem no centro e com toda a força. Por isso, continuando a desempenhar este papel de quem acabou de fazer reiki e ver o messias, apenas me quero morta! 

morte.jpg

 

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