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Da forma como leio o mundo

Da forma como leio o mundo

19
Mai18

O mundo será o que sou!

Bárbara

Entre a razão e a emoção vai o balanço do que me ensinam e o que sou.
Quero ser tão mais do que pensamentos e passos.
Tenho medo de me perder neste mundo de tanta cor sem cor.
Por vezes, assusto-me quando me deixo de escutar e passo a ouvir sem sentir, sem pensar e mesmo sem amar.
Por vezes, perco-me neste emaranhado que nem é meu, quero parar só umas respirações e recomeçar onde me perdi.
Curo-me todos os dias do que me fazem viver, mesmo sem escolher e todos os dias escolho um mundo tão meu e se dói nem fui eu.
Mais do que a dor do que a ação exterior é aperceber-me que conduzo sem me ver.
E hoje parei, já ia a meio do que escolheram para sentir e respirei, afinal, quem decidia era mesmo eu.
De um modo ou de outro, sou apenas o que me escolho e não o querem que seja.
Quero ser quem sou ontem, hoje e amanhã, mesmo que me firas num afeto, que te dei, me cegues num ciúme que me devolves sem o ter enviado, me intoxiques numa inveja apenas tua e me tentes sufocar num ego, que me quer apagar.
E afinal, o meu maior inimigo era apenas eu, num acreditar que apenas escolhi sentir.
Um dia prometi que não me troquei, mesmo na dor que repete e bate e ondula, neste ser que se parte.
Um dia prometi que não me mudei de ser e hoje senti-me perder, como se agarra a um chão que mexe e nos misturamos em sombras, que não são nossas?
Mais do que triste, sinto-me perdida em quem não sou.
Difícil viver num mundo sem corrimão, numa estrada sem traçada, numa palavra sem limite.
Abraço-me no que me conheço e receio correr em direção a nada.
Só queria ser melhor no sentir, no dar, sem que o cansaço me dissesse para parar.
Abraçar o mundo custa perder uma alma em que me vejo e em quem sou.
Não o preciso de abraçar de tal forma, apenas me ser neste sentir, sem me tornar naquele querer, que não é meu.
E quando doer… e quando me sentir ir… foco-me no que sinto, olhando para fora ou para dentro, nas pessoas ou através delas, num valor que sou sem perder o meu nome, que é bem mais do que um som.
Apenas tenho que me recordar não me perder nesta essência, que me faz ver sentido no viver.
E no final, o mundo será o que eu sou!

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