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Da forma como leio o mundo

Da forma como leio o mundo

19
Nov19

Mais uma sessão

Bárbara

- Sinto-me irritada e cansada com a mente e alma humana.

-O que quer dizer com isso?

-Parece que sempre que tentamos fazer o bem nos leva a sermos alvo de ridicularização.

- Sabe que coloco ração na rua para os cães e hoje, a imbecil da vizinha da frente disse que andavam ratos por aqui e que era por causa da ração, que todos estavam a dizer isso.

- O que é que isso a faz sentir?

- Faz-me sentir cansada, sem esperança, revoltada pela passividade do mundo, por este anular constante de quem tenta fazer o bem. Precisei dos meus minutos para controlar toda esta fúria que chegou até mim. Ontem, conseguimos salvar uma cadelinha que dormia na rua, mas, entretanto, no caminho deparamo-nos com outro cão em condições assustadoras. Não existem respostas e quando peço ajuda, ou divulgo sou, essencialmente atacada. 

- Compreendo e como se pode alterar de alguma forma o que sente?

- Posso também me focar que hoje uma pessoa me deu uma contribuição elevada, que entreguei à associação da terra. Posso me focar com amor no que faço e desvalorizar, posso-me me focar que salvamos uma cadelinha que se encontrava à chuva e ao frio a dormir numa estrada.

-Por que a incomoda o que os outros dizem ou pensam?

- Porque gostava que fosse mais simples, mais fácil, mais rápido... que tivessemos finais felizes, que valesse a pena.

-Quando ajuda o que a motiva?

- O sentir a dor dos outros e dos animais de uma forma intensa, mas tão intensa que se torna doloroso. Dá-me vontade de desistir da vida.

-E se se concentrar nos efeitos que produzem os seus atos?

-Sim, tem razão.

-O pouco que faz pode tornar-se muito para um ser indefeso.

- Não procuro medalhas nem aplausos, percebe? Mas, fere-me lidar com críticas, ainda tenho que trabalhar com isso. Não gosto que me critiquem, faz-me sentir crianças, impotente, humilhada.

- E consegue situar isso?

- Situar?

- Sim, que idade teria essa criança? Quem a rodeava?

- Ai, essas questões deram-me vontade de chorar. Sinto-me sozinha.

-Sabe que a sua resposta diz muito mais do seu passado do que do seu presente.

-Não me apetece continuar hoje.

-Respeito. Mas, peço que em casa guardasse uns momentos para escrever uma carta a essa criança frágil que guarda dentro de si.

06
Nov19

Sessão 3

Bárbara
- Estás com uma expressão triste e perdida... O que estás a pensar?
- Fui passear com a minha mãe e quando retomei ao trabalho senti um aperto imenso, um sentimento de solidão, uma tristeza, um desânimo, um cansaço físico, uma falta de tudo para prosseguir e por fim, uma vontade imensa de me afogar em lágrimas sufocantes.
- Consegues perceber o que estás a pensar?
- Estar com a minha mãe, desde que me recordo, sempre me fez sentir angustiada, culpada, como se algo de mal fosse acontecer. Não me sinto naquele chegar a casa, que sempre escutei os outros a falarem.
- Por que vais?
- Porque lhe devo isso. Porque apesar de tudo, tenho esse dever. Porque tenho que a proteger, acarinhar, mas ela não é fácil de todo.
- Qual a memória mais bonita que tens da tua mãe?
- Já pensei nisso muitas vezes, mas, todas as memórias envolvem um sentimento iminente de tragédia.Sinto uma falta tão grande de me sentir amada, sem ser criticada, ou me sentir culpada pela infelicidade dela. Estar com a minha mãe agrava os meus sentimentos de fibromialgia. Hoje, sinto-me triste, muito triste.
- Consegues reverter essa sensação? Terás que o fazer para sobreviveres, sabes disso... Não te podes permitir de outro modo, pois não existe nada por trás dessa porta.
- Tens razão. Tenho que trabalhar, agir, preparar-me para que as pessoas se sintam bem. Também me sinto cansada, acordei às quatro da madrugada, com os terríveis dos meus cães. Estive a tentar concentrar-me apenas na minha respiração, mas revelou-se intensamente difícil.
- Qual é o teu objetivo para hoje?
- Provavelmente, aproveitar esta tranquilidade triste para me sentir grata. Quero me sentir grata, muito grata. Quero aproveitar esta tranquilidade para me queixar menos, para falar menos. Quero aproveitar este desânimo para me sentir calma. Quero aproveitar esta tranquilidade para observar mais, pois sinto-me em modo lento, quase como se não estivesse no próprio corpo. Quero aproveitar esta lentidão emocional para desenvolver a fé, a imaginação, a paixão pela vida. Quero ser uma criadora de soluções, alguém que permite estabilidade aos outros e serenidade. Quero emergir em amor.
05
Nov19

Terapia do Pensamento sessão 2

Bárbara

-Como te sentes hoje?

-Mais equilibrada. Sempre que reduzo o açúcar e retomo o ginásio acabo por me sentir mais tranquila.

-Então, verificas na disciplina uma estratégia?

-Sim, nem sempre me consigo controlar. Provavelmente, adiciono à minha instabilidade e compulsão as alterações hormonais. Se os homens soubessem que as alterações são tão intensas, que nos transformamos num ser desconhecido.

-E qual é o teu objetivo para hoje?

-Gostaria de conseguir manter a tranquilidade, a harmonia no meu interior e observar mais do que falo. Ontem, irritei-me, pois uma colaboradora esqueceu-se de colocar no lugar umas folhas importantes e prejudicou o funcionamento do dia. Já tinha tido uma conversa com ela na semana passada a pedir mais atenção e responsabilidade. No entanto, comentei, com um grau de irritação, com a pessoa que precisava das folhas. E isso deixa-me desconfortável, pois já não sei o que é correto ou não. 

- O que consideras não ser correto nessa situação?

-Não sei o que me acrescenta ou ao mundo essa partilha, mas no impulso da irritação acabei por comentar.

-O que disseste exatamente?

-Não me acredito! As folhas têm que estar aí, imprimi, entreguei. Ela sabe que é importante para hoje e coloca em causa todo o funcionamento para hoje. Caramba, ainda na sexta me sentei com ela e lhe pedi mais cuidado. Estou cansada disto... mesmo cansada... Algo deste género.

-Não me parece que tenhas estado a dizer mal de alguém de forma fútil, focaste-te no comportamento e todos nós temos esses desabafos.

-Mas, gostava de falar menos e manter a tranquilidade... Ontem, depois da nossa conversa, enviei mensagem a três amigas com quem já não tenho contacto há muito. Mas, apenas uma me respondeu.

- Como te sentiste com essa resposta?

- Senti uma tendência maior de me penalizar pela ausência das outras duas. Curioso esta nossa forma de absorver, não é?

- E como te sentiste com essa resposta?

-Senti-me feliz, senti-me motivada e depois senti que tudo dá tanto trabalho.

- Estar com pessoas faz-te sentir cansada?

- Sim, não flui naturalmente. Tenho que me mentalizar, planear, preparar, motivar, obrigar... Acho que me custa mais do que ir ao ginásio. Não sei se sinto prazer com estar com os outros, mas sinto falta dos outros. Gosto das pessoas, mas não gosto das pessoas, percebes? Isto torna-me arrogante. Ou, acho que pelo facto de estar, profissionalmente, sempre disponível e em modo de escuta para os outros, não me apetece entrar no mesmo registo no contexto pessoal. Não me encanto com pessoas que me rodeiam, ou que vou encontrando. Gostava que alguém me dissesse que tinha uma hora inteira para falar, sem ser interrompida e ser realmente escutada. Deve tão bom sentir que somos amados. Sinto falta disso, muita, de amor incondicional, que não dpende do que possas ser útil. O que me sinto é isso, útil, descartável...

- Achas que esta descrição te vai ajudar de algum modo? Essa adjetivação tão negativa faz com que evoluas?

- Não, de todo.  

- Então, vamos sonhar positivo? Vamos abrir os braços e gritar à vida que merecemos esse amor.

- Sim, tens razão. São caminhos distintos, com resultados distintos. E eu posso escolher. Eu escolho sonhar, sem dúvida. 

 

 

04
Nov19

Terapia do Pensamento

Bárbara

-Nem sempre é fácil avançar com pensamento positivo, nomeadamente quando se abre a caixa de correio logo pela manhã e se descobre uma multa.

Principalmente, quando tinha decidido ser positiva hoje.

-E como é que isso altera a sua positividade.

- Gostava de ter um sinal do universo, do meu pai, de deus...

- Compreendo... Como mantém a sua positividade?

- Por vezes, grito, outras faço claque... mas no fim, só  tenho a hipótese de acreditar... se for abaixo, morro sozinha.

- Sente-se sozinha?

- Estou sozinha de forma intensa e acabei por o aceitar. Cansei-me de procurar falsas companhias. Encontrei companhia nos meus cães e na comida. O resultado do exagero é estar obesa e gastar o que não tenho. Dou comiga, e desespero, a colocar ração para cães em tudo o que é local e pareço uma velha, gorda e louca.

- O que significa estar sozinha?

- Os cães ajudaram imenso, anteriormente só queria morrer sempre que abria a porta de casa.  Estar sozinha é o silêncio, é a falta de companhia, é o chorar agarrada a mim mesma, é o sentir que ninguém toma as minhas dores, é o não ter com quem desabafar e trocar as coisas todas na parte profissional. Por vezes dói tanto, mas tanto, mas tanto que pareço que parto. Não fomos feitos para esta solidão que sinto.

- Já fez algo para tentar reverter a situação?

- Sim, já. Já marquei com amigas, mas fui rejeitada. Devo ser uma pessoa insuportável.  Já procurei namorados e correu muito mal. Tento combinar, ser simpática, tento ajudar, mas as pessoas afastam-se de mim. Vou dar um exemplo, este ano tentei ir de férias com uma amiga, que considerava verdadeira. Ela tem férias logo no final de junho e começa a trabalhar em setembro. Eu só consigo parar em agosto, aliás já não parava desde 2012. Eu pedi para irmos em agosto, mas ela disse que ir passar férias à terra dos pais e se fosse comigo tinha que ser logo em julho, pois não queria andar sempre em viagens. Isso deixou-me triste e acabei por me afastar, pois eu não tinha alternativa.

- Como interpretou isso?

- Como se ela não quisesse estar realmente comigo, como se eu não valesse a pena. As pessoas não me procuram pela minha companhia. As pessoas procuram-me porque eu sou útil em alguma coisa.

- Todos são assim? Foi sempre assim?

- As minhas irmãs não, mas é sempre em dias específicos e quando tento marcar alguma coisa fora é complicado. Não foi sempre assim, não sei se fui eu que me afastei, ou se foram as pessoas. Sei que alguns anos, bastantes, eu trabalhava e depois refugiava-me em casa, com as persianas corridas à espera do final da vida. Eu odeio quem sou, odeio a pessoa que sou, odeio-me tanto.

- Porque se odeia?

- Quando observo os outros, são tão diferentes de mim. 

- Consegue fazer uma lista de coisas que gostaria de alterar em si?

- A falta de disciplina, a preguiça, a compulsão alimentar, a insegurança, o meu peso, a minha força de vontade, o falar em demasiado...

-Consegue fazer uma lista do que valoriza em si? 

- O gostar de ajudar pessoas, a verdade, a honestidade, a capacidade de trabalho, o humor, a criatividade.

Consegue fazer uma lista do que não gosta na sua vida?

- a falta de filhos, de companheiro, de estabilidade económica e profissional.

Acabou o nosso tempo, continuamos no próximo pensamento terapêutico.  

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